quinta-feira, 7 de junho de 2012

Capítulo 1

Capitulo I
Capítulo 1

1988

caminhava pelas calmas ruas de Little Lever, apenas observando as pessoas caminhando calmamente pelas ruas a caminho de seus trabalhos, ou levando seus filhos até a escola local.
27 anos e a cidade continuava a mesma calmaria de quando ele nascera. Lembrava-se de reclamar sobre o quão chata a cidade era durante sua adolescência, mas agora agradecia á isso.
Passara os últimos 10 anos entre idas e vindas de Manchester para terminar a graduação em Medicina e a especialização em Psiquiatria e manter-se conectado ao que o levará a seguir isso por carreira.
Quem iria imaginar; ele, , psiquiatra.
Lembrava-se qual fora sua reação ao entrar por primeira vez em um hospital psiquiátrico. A angustia e o desespero que sentira ao observar o ambiente tão claro, que por lógica deveria passar calma. A falha era visível.
Ajeitou o jaleco que levava pendurado em um dos braços e segurou as pastas com mais firmeza entre as mãos, e por fim, adentrou o cálido hall do Hospital Psiquiátrico.
“Bom dia Dr. ” cumprimentou a secretária. Sorriu para ela.
“Bom dia Danielle” respondeu colocando uma das pastas sobre o balcão “Quando os pais da Rachel chegarem, você poderia, por favor, me avisar?” perguntou vendo-a assentir. “Ah, e por favor, quando o irmão de Daniel chegar, encaminhe-o para o quarto 504” completou antes de sorrir uma última vez e deixar o hall, caminhando até a sala onde sabia que encontraria Marple.
Bateu a porta e esperou que a senhora lhe desse autorização para passar.
“Oh, , já te disse o quanto é bom te ter de volta?” perguntou a senhora em um tom alegre e ele sorriu.
“Todos os dias, desde que cheguei” comentou ele deixando um beijo na testa da ‘tia’.
“Eu te disse que você iria gostar daqui, não disse?” perguntou ela divertida, lembrando-se de quando o recebeu por primeira vez ali. “Estou tão orgulhosa de você ” comentou sorrindo e fazendo o outro sorrir encabulado.
“Obrigado senhora Marple” respondeu sem jeito, ele riu.
“Ah , quantas vezes terei que dizer para que me chame de Diana?” ela perguntou divertida.
“Desculpa, não consigo me acostumar” respondeu, ainda sem jeito. Ela tornou a sorrir em direção ao não mais garoto e observou-o enquanto ele pediu autorização para deixar a sala e seguir para seu trabalho.
Sorriu, dessa vez de orgulho, ao ver o quanto aquele garoto de 17 anos que havia entrado naquele hospital com a finalidade de cumprir uma pena tinha mudado no passar dos 10 anos e tinha se tornado o homem que agora via deixar sua sala.
Sabia que não tardaria muito até ser obrigada a aposentar-se. Sabia das suas condições de saúde e o quanto o trabalho poderia ser desgastante, mas não queria deixar o hospital até ter certeza que havia encontrado o sucessor correto. Também sabia que já o havia encontrado.
era aplicado. Admitia que no começo ele tinha sido relutante com a situação, mas assim como todos os outros, não quis deixar o Hospital a cumprir a pena e desde então tornou-se extremamente dedicado á isso.
Marple sabia bem o motivo disso tudo, o motivo do repentino interesse do, naquela época, garoto sobre transtornos mentais e as atividades da clinica.
Ele não fora o primeiro, sabia bem disso, e tampouco seria o último a ser atraído pela falsa ilusão de resolver os problemas dos pacientes.
Sabia bem disso, ela própria caíra nessa armadilha traiçoeira que é a mente. E saiba também o quão perigoso podia ser isso, mas ela não o pararia. Ele precisava encontrar a verdade sozinho, dar-se por vencido por conta própria.
Caminhou até a sala de jogos vendo-o interagir com Daniel e . Os dois únicos pacientes restantes da época em que havia começado a trabalhar ali.
David havia aprendido, com o tempo, a lidar com a sua doença, e seguia visitando-os constantemente, para garantir que as coisas não saíssem do controle.
Matthew havia sido levado para Londres, onde poderia receber melhores tratamentos. Era muito jovem com uma doença complicada em um estágio avançado. Algo raro de se acontecer, mas que infelizmente acontece.
E James não havia se recuperado do choque do ataque do qual fora vitima. Apesar de todas as tentativas, eles não conseguiram salvar o garoto.
James fora o primeiro paciente que havia perdido, e Diana lembrava muito bem qual foi a reação do garoto ao chegar a clinica e receber aquela noticia.
“Bom dia” cumprimentou a e Diana com um sorriso, abraçando-os. Como sentira saudades da clinica.
Não podia reclamar tanto. Sabia que a distância era necessária. Faltavam apenas seis anos mais e ele poderia voltar de uma vez para casa.
“Bom dia ” Marple cumprimentou com a cortesia de sempre. Mas algo faltava, aquele brilho no olhar, a alegria por fazer bem pela comunidade. Faltava algo ali, e logo ele notou o olhar de preocupação de .
Algo estava errado, e ele já tinha percebido.
“Está tudo bem?” perguntou receoso, Marple aproximou-se dele porém no mesmo minuto que suas mãos se fecharam sobre o braço do rapaz, o Sr. e a Sra. Simpson passaram pela porta, desespero e desconsolação em suas faces.
não precisou de uma palavra mais para entender o que tinha acontecido. Desvencilhou-se do aperto de Diana e seguiu pelo corredor, buscando pelo quarto 600.
Admitia que não tinha sido nada delicado ou silencioso ao escancarar a porta do quarto apenas para encontrar a cama vazia, sem os lençóis. Soube exatamente o que tinha acontecido.
Ouviu passos atrás de si, sabia que era quem viera por ele.
“Nós fizemos tudo o que podíamos” falou o maior e balançou a cabeça em negação.
“Não. Eu não fiz. Eu deveria ter ficado aqui” resmungou o rapaz “eu poderia ter salvo ele” murmurou novamente.
“Não . Nós fizemos tudo o que podíamos, você também fez. Não foi culpa sua” consolou-o o amigo.
“Eu prometi pra ele que tudo ia ficar bem” tornou a falar, passando as mãos nos cabelo, desesperado.
“Ele está num lugar melhor agora , está tudo bem” tornou a falar, segurando o amigo pelos braços e puxando-o para fora do quarto.
Não era a primeira vez que perdia um paciente, mas lembrava o quão desolado e culpado havia se sentido quando teve que lidar com isso por primeira vez.
Era sua vez de ajudar alguém passar por algo que ele havia passado anos atrás. Levou até a cozinha e sentou-o em uma das mesas.
A conversa seria longa e nada fácil, mas antes precisava acalmá-lo. E os anos de experiência o ensinaram que nada melhor que água com açúcar para isso.
afastou-se de Daniel e com um leve sorrio no rosto. A melhora de Daniel nos últimos anos era visível e ele se alegrava com isso. Porém ainda assim era triste ver o fato de que seus familiares pouco se importavam com o rapaz, e preferiam mantê-lo internado em uma clinica a cuidá-lo em casa.
Fabian, o irmão de Daniel, era provavelmente o único visitante que o rapaz havia recebido nos últimos cinco anos. Coisa que desaprovava altamente. Apoio da família era algo extremamente importante num caso como o de Daniel.
Ouviu vozes no corredor e logo observou Danielle abrir a porta.
“Dr. , os pais de Rachel já chegaram. Estão te esperando na sua sala” notificou a eficiente secretária e sorriu para ela.
“Obrigado Danielle. Avise-os que chego em um minuto” respondeu a garota de apenas 19 anos. Voltou-se para os papeis que analisava anteriormente, apenas para ser novamente interrompido.
“Você não enjoa disso?” perguntou aproximando-se do médico. sorriu para ela.
“Na realidade não” respondeu ele fazendo-a revirar os olhos.
“Você costumava odiar esse lugar, lembra?” ela falou e riu.
“Como poderia esquecer? Você me lembra disso todo dia” respondeu fechando a pasta e olhando para a mulher a sua frente.
“Você ainda odeia esse lugar” comentou ela.
“Não seja estúpida .” Respondeu divertido.
“Não sou, você melhor do que ninguém sabe disso.” Tornou ela “mas você ainda não gosta daqui” acrescentou. Ele a olhou por um minuto mais.
“Eu tenho que ir. Terminamos essa conversa depois” esquivou-se, e ela riu divertida.
Era tão fácil deixá-lo desconcertado. Era tão fácil ler seus pensamentos que ela teria cansado desse jogo há muito tempo se não fosse a visível relutância que ele mostrava em relação a ela.
“Você sabe que eu estou certa doutor” falou mais alto, afim de que ele a escutasse antes de sair do salão. Oh sim, ele sabia que ela estava certa, mas dai a admiti-lo em voz alta eram outros quinhentos.

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